
Fim de semestre. Gente passando direto e indo pro bar comemorar, gente de DP, gente de várias DPs. É chegada a hora de fazer um balanço geral. Prepare-se porque alguém, provavelmente seu pai ou sua mãe, vai chegar até você com a pergunta: O que você aprendeu nesse semestre?
Olha, eu entendi toda a parte do Barbero, da Sociologia, das diagramações do Che Guevara, do estudo multicultural, multiperspectivo e multiqualquermerda do Kellner. Mas fora isso, nesses meses eu tirei 3 ensinamentos imprescindíveis, que não vieram em um texto que eu comprei no quiosque de Xerox por um preço que eu não acho justo ok? E que devem, em algum ponto da sua vida, servir pra você:
1 – Aula de Psicologia é dispensável.
Não é nada pessoal. Não tenho nada contra sua professora bizarra, que tem uma risada estridente e um guarda-roupa exótico. Isso aí é problema seu. Mas, é sério, você não vai precisar das aulas pra entender sua cabeça ou a de mais alguém. A faculdade toda vai ser uma grande terapia, por exemplo: Você vai receber prazos pra cumprir que não são fisicamente ‘cumpríveis’. Trabalhos, resenhas, entrevistas, relatórios não vão aparecer durante um bom tempo, mas aí em uma só semana, eles virão aos montes. Surpresa, você vai conseguir. Aí você vai entender que a questão tempo é uma pura opressão social a qual nos submetemos e que inconscientemente assumimos como intransponível, sendo que nós mesmos é que fazemos nosso tempo e bla-bla-bla. Aí você usa Freud, Nietzsche, Vigotsky, Tchaikovsky (não?), qualquer nome que não se lê como se escreve no meio da resposta da prova e pronto, você é quase um psicólogo.
Segundo caso: A professora de Psicologia passa aulas explicando a linguagem corporal pra você que será um comunicador e deve entender o que as pessoas querem dizer mesmo não dizendo. Olha, você vai entender. Vai entender quando tiver aquela prova para a qual você devia ter estudado o mês inteiro, mas estudou uma tarde. Aí você vai entregar ela à professora, cheia de “ou seja”, “isto é”, “por exemplo” pra aumentar o número de linhas. Ela olha a prova por cima dos óculos e faz um “hm”, arregalando os olhos. Depois ela dá uma olhada pra você, como quem diz “eu te avisei” e coloca sua prova em um lugar onde ela não possa mais olhar aquele desaforo. Leitura de linguagem corporal: Você se ferrou. Parece até que você viu todos os extensos slides da professora de Psicologia.
Importante: Aliado a isso, tenha sempre um amigo disposto a assinar a lista de presença pra você.
2 – O banco fecha ás 18h.
Problema comum entre universitários: dinheiro. Durante a aula, em um de seus devaneios já que não dizem nada de interessante, você vai se lembrar que tem uma Xerox para tirar, uma conta pra pagar, ou que está devendo R$1,50 pro menino que vende bombons na sua sala. Você olha a carteira e nota que não tem nada além de um passe de estudante e seu cartão de débito. É hora de sacar. Deixa pra depois, afinal o data show está ligado e se eu ficar em pé e me dirigir até a porta, eu vou passar na frente da projeção e ficarei todo iluminado. Nunca deixe pra depois. Por um motivo único: o banco da universidade não é 24h. Ou seja, passando das 18h você não vai conseguir tirar o rico dinheirinho que você ganhou levando café no seu estágio, e você sempre vai se esquecer disso. E isso vai te trazer problemas. Essas situações podem variar em grau: você pode ficar sem o texto que precisa ser lido para o dia seguinte, o que pode levar a uma nota baixa de conceito, um zero em uma atividade referente ao texto ou vergonha diante da sala quando a professora perguntar o que você entendeu com a leitura. Em outro caso, você pode ser o único da turma sentado no bar sem ingerir nem ao menos água, porque além de não ter dinheiro você não pagou o amigo pra quem devia, e não vai poder pedir mais emprestado. Lembre-se: 18 HORAS.
3 - O Sucão não é mais o mesmo.
Simplesmente porque a polpa vem congelada e dá dor de cabeça quando você toma.
Enfim, se as aulas não são assim tão produtivas, o jeito é aprender nos corredores.