sábado, 3 de julho de 2010

1 ano de namoro inteiro


Dizem por aí que deixaram de fazer isso e aquilo porque começaram a namorar. Com namorado é diferente, é o que falam, você tem que se privar de algumas coisas. Pra mim, namorado mesmo não te priva de nada não. Não quero dizer que você deve fazer tudo que te dá na telha, se esquecendo que sua viada agora também é de outra pessoa, e ele ter que aceitar de boca fechada. Mas namorado, namorado mesmo, é aquele com quem se vive o mundo todo, num só abraço
Que negócio é esse de reclamar tanto que ele te faz sofrer? Ele vai sim te dar acessos de raiva e vai sim te fazer chorar. Muito. Mas isso é só um pouco do que você vai viver por aí. O choro por ele vai ter valor de sorriso e no fim, a gente vê que o que ele fez não é nada que o mundo não vá fazer de um jeito pior. Chega desses namorados que só te evam para restaurantes bonitos e caros. E os bares de esquina, com quem você vai conhecer?
Como se dizer completa com ele se tudo que você fez foi dar voltas de carro, comer bem e ver casamentos? Um namoraro inteiro exige que pelo menos uma vez vocês fiquem no meio da rua sem gasolina, que o lanche esteja ruim e que uma morte faça doer muito o coração de um. E depois do outro.
Pegar filme ruim no cinema, programas furados, se perder no caminho pra festa, errar o horário do aniversário. Coloquem iso na lista de "o que fazer" com seu parceiro no lugar dos beijos na chuva, sexo na praia, essas coisas de cinema. Aí sim, temos um namoro completo.
Chega dessa mania de pedir pra ele te proteger de tudo. A vida não para quando a gente ama. O mundo continua girando, as pessoas da rua vão continuar mal-educadas, os ônibus lotados, os preços vão continuar subindo e ainda vai chover bastante quando não deveria.
Dizer que se quer alguém pra vida inteira, é dizer que tudo isso você quer ver com ele. Um namoro inteiro, pede uma vida inteira. Mesmo que a vida aconteça em dois dias, uma semana, um ano.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que eu aprendi nesse semestre

Fim de semestre. Gente passando direto e indo pro bar comemorar, gente de DP, gente de várias DPs. É chegada a hora de fazer um balanço geral. Prepare-se porque alguém, provavelmente seu pai ou sua mãe, vai chegar até você com a pergunta: O que você aprendeu nesse semestre?

Olha, eu entendi toda a parte do Barbero, da Sociologia, das diagramações do Che Guevara, do estudo multicultural, multiperspectivo e multiqualquermerda do Kellner. Mas fora isso, nesses meses eu tirei 3 ensinamentos imprescindíveis, que não vieram em um texto que eu comprei no quiosque de Xerox por um preço que eu não acho justo ok? E que devem, em algum ponto da sua vida, servir pra você:

1 – Aula de Psicologia é dispensável.

Não é nada pessoal. Não tenho nada contra sua professora bizarra, que tem uma risada estridente e um guarda-roupa exótico. Isso aí é problema seu. Mas, é sério, você não vai precisar das aulas pra entender sua cabeça ou a de mais alguém. A faculdade toda vai ser uma grande terapia, por exemplo: Você vai receber prazos pra cumprir que não são fisicamente ‘cumpríveis’. Trabalhos, resenhas, entrevistas, relatórios não vão aparecer durante um bom tempo, mas aí em uma só semana, eles virão aos montes. Surpresa, você vai conseguir. Aí você vai entender que a questão tempo é uma pura opressão social a qual nos submetemos e que inconscientemente assumimos como intransponível, sendo que nós mesmos é que fazemos nosso tempo e bla-bla-bla. Aí você usa Freud, Nietzsche, Vigotsky, Tchaikovsky (não?), qualquer nome que não se lê como se escreve no meio da resposta da prova e pronto, você é quase um psicólogo.

Segundo caso: A professora de Psicologia passa aulas explicando a linguagem corporal pra você que será um comunicador e deve entender o que as pessoas querem dizer mesmo não dizendo. Olha, você vai entender. Vai entender quando tiver aquela prova para a qual você devia ter estudado o mês inteiro, mas estudou uma tarde. Aí você vai entregar ela à professora, cheia de “ou seja”, “isto é”, “por exemplo” pra aumentar o número de linhas. Ela olha a prova por cima dos óculos e faz um “hm”, arregalando os olhos. Depois ela dá uma olhada pra você, como quem diz “eu te avisei” e coloca sua prova em um lugar onde ela não possa mais olhar aquele desaforo. Leitura de linguagem corporal: Você se ferrou. Parece até que você viu todos os extensos slides da professora de Psicologia.

Importante: Aliado a isso, tenha sempre um amigo disposto a assinar a lista de presença pra você.

2 – O banco fecha ás 18h.

Problema comum entre universitários: dinheiro. Durante a aula, em um de seus devaneios já que não dizem nada de interessante, você vai se lembrar que tem uma Xerox para tirar, uma conta pra pagar, ou que está devendo R$1,50 pro menino que vende bombons na sua sala. Você olha a carteira e nota que não tem nada além de um passe de estudante e seu cartão de débito. É hora de sacar. Deixa pra depois, afinal o data show está ligado e se eu ficar em pé e me dirigir até a porta, eu vou passar na frente da projeção e ficarei todo iluminado. Nunca deixe pra depois. Por um motivo único: o banco da universidade não é 24h. Ou seja, passando das 18h você não vai conseguir tirar o rico dinheirinho que você ganhou levando café no seu estágio, e você sempre vai se esquecer disso. E isso vai te trazer problemas. Essas situações podem variar em grau: você pode ficar sem o texto que precisa ser lido para o dia seguinte, o que pode levar a uma nota baixa de conceito, um zero em uma atividade referente ao texto ou vergonha diante da sala quando a professora perguntar o que você entendeu com a leitura. Em outro caso, você pode ser o único da turma sentado no bar sem ingerir nem ao menos água, porque além de não ter dinheiro você não pagou o amigo pra quem devia, e não vai poder pedir mais emprestado. Lembre-se: 18 HORAS.

3 - O Sucão não é mais o mesmo.

Simplesmente porque a polpa vem congelada e dá dor de cabeça quando você toma.

Enfim, se as aulas não são assim tão produtivas, o jeito é aprender nos corredores.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quer?


Eu não ofereço um gole de Yakult. Então por que dividiria você?
Se eu não dou uma colherada do meu danoninho, por que deixaria você passar tempo que podia ser meu com mais alguém?
Você vem em porções tão pequenas quanto esses dois, queria ter o direito de aproveitar sozinha.
Foi uma das primeiras coisas que minha mãe me ensinou, ou tentou me ensinar. Acho que não conseguiu, porque eu não suporto a idéia de ter você pela metade.
Eu não te ofereço e as pessoas nem pedem. Vão tirando de mim assim, o seu tempo que era meu.
Não precisam pedir pra mim. Não comprei.
Você não é nada meu, além de meu favorito.
Favorito como aquele bolo de chocolate, do qual eu não dou nem um pedaço.
- Mas que coisa feia menina, tem que aprender a dividir!
A gente tem que entender que todo mundo gosta de Yakult. E todo mundo também acha que vem pouco.
E eu tô aprendendo, quer um pedaço?

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Todo mundo tem seu bolo de chocolate. Você é o meu! :)

sábado, 4 de abril de 2009

Um título hostil e um pequeno post pra começo de conversa.

Em tudo ouço música e ritmo. O pára-brisa desse ônibus toca algo parecido com o canto de um canário, ou outro bicho que voe.
Lembro que ainda pequena, ouvia a impressora do escritório do meu pai trabalhar cantando, uma palavra que desconhecia, mas ainda assim ela cantava. Tudo é música.
Não que eu tenha talento algum pra coisa toda, essa não é a explicação. Os acordes arriscados no violão já me bastam, não espero ser em algo parecida com August Rush. Não é isso.
A razão para me tornar ouvinte dessa sinfonia do cotidiano, é o silêncio que se faz dentro de mim. Coloco todos os dias na alma uma placa com letras garrafais dizendo: "não perturbe" e respeitando, não me perturbo.
Agora posso ouvir, calma, tudo que o mundo quer tocar pra mim.
Escrevendo isso, meu teclado toca Jazz.

(28-02-2009)